A 72

Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Assentamento 72

É oriunda do assentamento 72, criado em 1999 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, a partir da Fazenda Primavera. Foram assentadas 85 famílias. O assentamento totaliza 2.341,2996 ha, com média de 18,5 ha por lote, estando localizado a 5 km da cidade de Ladário-MS, às margens da baía Negra que se conecta, através de pequenos cursos fluviais, ao rio Paraguai.

O diagnóstico preliminar de 2010, relatado por Zarate, Santos e Costa (2010), constatou uma população residente superior a 200 pessoas, com média de 3 pessoas por moradia, com predominância do sexo masculino (quase 60%). A maioria sempre morou na zona rural e mais da metade provinha de áreas circunvizinhas. Com pouco mais de 10 anos, sem emancipação, já se via uma lógica de T-D-R (Territorialização – Desterritorialização – Reterritorialização) acentuada (40% venderam seu lote), mesmo sem a titulação da terra. Predomina a população adulta (entre 20 e 60 anos) e as séries iniciais (1º ao 5º ano da educação básica) completas ou incompletas como grau de escolaridade. Cabe mencionar que as pessoas que se declararam analfabetas perfaziam 13,50%, acima da média brasileira, da sul-mato-grossense e da de Ladário.

Os assentados moram em casas de alvenaria, a renda familiar é bastante desigual, em face da presença dos novos proprietários (40%), que detêm poder aquisitivo bem mais alto que os camponeses originais. Cerca de 20% das famílias locais sobrevivem com algum tipo de ajuda governamental: bolsa família ou bolsa escola.

Costa, Zarate e Macedo (2012) apontaram que os dois maiores problemas enfrentados pelo assentamento são a necessidade de água e de qualidade ruim das estradas. As ações de pesquisadores da UFMS/CPAN em parceira com a Embrapa Pantanal iniciaram em 2010, a partir da aprovação pelo CNPq dos projetos mencionados no item 3.2. Os camponeses demostraram grande insatisfação com o poder público pela carência de assistência técnica e pela frequente paralisação das ações públicas iniciadas no local, gerando desconfiança ou descrença.

A primeira estratégia adotada foi buscar parceria com o SEBRAE-MS (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso do Sul), aliando nossa capacidade de pesquisa ao know how do SEBRAE sobre negócios, sob o prima da cooperação. Consolidada a parceria via Programa “MS sem fronteiras”, discutimos as condições e necessidades dos camponeses, estabelecemos a importância de aproximá-los entre si e entender a propriedade como um negócio. Assim, começamos com o curso “Negócio Certo Rural”, juntamente com o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e, concomitantemente, “Manejo de hortas”. O primeiro teve a duração de 7 semanas indo de maio a julho de 2011, formando duas turmas de 18 e 17 famílias camponesas; o segundo, com os mesmos grupos, com duração de dois dias.

Também, de maneira simultânea, foram ministrados, pelos pesquisadores da Embrapa Pantanal, cursos sobre os fundamentos da agroecologia e preparação de caldas agroecológicas. Tínhamos a intenção de criar uma associação ou cooperativa de produtores agroecológicos, mas a avaliação das ações demonstrou que ainda faltava coesão ao grupo. Assim, viabilizamos, pela nossa parceria com o SEBRAE-MS, o curso “Juntos somos fortes”, com carga horária de 12 horas, com o objetivo de demonstrar as vantagens do trabalho em grupo. A ideia era desenvolver a capacidade de liderança, trabalhando o perfil do líder e o comprometimento em grupo. O curso foi realizado nos dias 25 e 26 de outubro de 2011 e teve participação de 25 famílias camponesas ligadas ao projeto.

Em fevereiro de 2012, foi ministrado, por um consultor do SEBRAE, o curso “Metodologia de Resolução de Problemas”, com participação de 20 famílias camponesas. Nesse curso, ficou evidente a presença de muitos problemas já antigos: relacionados à questão da organização associativa, à dificuldade no acesso à água (distribuição e até obtenção), à questão das estradas (agravada no período de chuva) e outros relacionados à produção (assistência técnica, aquisição de insumos com custos mais atrativos, acesso a recursos financeiros). Para solucionar esses problemas, foram elaborados alguns planos de ação que envolvia, essencialmente, a organização associativa deles e a articulação de parcerias para fortalecimento dos projetos que eles pretendem trabalhar no assentamento, como a questão da água e da produção diversificada com assistência técnica permanente.

Durante esse tempo, já se podem apresentar alguns avanços significativos. Primeiramente, a capacitação para pensar a propriedade enquanto negócio e alguns indícios de cooperação entre eles. Além disso, implantamos duas “hortas modelos”, com poços artesianos e introduzimos práticas agroecológicas. Os camponeses diversificaram sua produção com o cultivo de hortaliças, que já estão vendendo nas feiras livres de quarta-feira e sábado, na cidade de Ladário. Também, para a Marinha do Brasil (6º DN), alguns supermercados e para a Merenda Escolar.

O fortalecimento das atividades cooperativas e a elaboração/potencialização de outros mecanismos de produção e comercialização ainda são dificuldades a serem superadas. O empoderamento do grupo ainda é desigual, produzindo problemas nos relacionamentos endógenos e, consequentemente com atores exógenos.

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